terça-feira, 22 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
corpo são é mente sã
texto publicado originalmente em setembro de 2009
quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
a seiva
quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
deslize
quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009
solfejo
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
se o meu dia fosse perfeito
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
"o medo dorme comigo"
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
cem por cento de incertezas
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
o relento e as asas longe do ninho
terça-feira, 10 de Novembro de 2009
brinde
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
a noite em que o luar se envergonhou ao ver-te sorrir
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
oh, look at me so lame and hopeless
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
antes, durante e depois de patinar
Roger Scheinder, em patins de velocidade
Brian Shima, em manobras agressive
Eito Yasutoko, o semi-deus no inline vert
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
o envelope azul
a insónia de há uns dias
o sangue de alguém
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Solidão, diferença e verdade
segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
o barqueiro com corações em vez de braços
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
só tenho um remo
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
a minha terceira resposta à Lily Allen
http://www.last.fm/music/Lily+Allen You have, to this minute, 25,752,726 plays of your songs in Last.fm. But in the top 15 of your most listened to songs, only one, "Smile", can be listened to. Do you expect people to click on the "buy it" button before listening?
How do you expect people like me, that do not have any CD or ilegal files of your songs, to listen to your work? See other artists, smaller than you (and let me tell you 25 million in Last.fm is huge, not small), I'll find an example.
Oneida (one of the best rock bands ever, mixing vintage synthesizers with Sonic Youth like guitars): http://www.last.fm/music/Oneida They only have 502,540 plays in Last.fm. And that is very little in Last.fm (some portuguese bands there are only known in Portugal have more than that, oh, and there are only 10 million portuguese).
Look at Oneida's top 15! Only one song is not available to be listened, all other 14 songs are.
So, you, your record company or both think that if you don't let people listen to your songs, they will be forced to buy it. Well, I never downloaded your songs, and I don't think I will ever buy your CD's. With Oneida it's another thing. And they are incredibly smaller than you (only in cash flow, not in musicallity). I would love to hear what Oneida members have to say about your claims on file-sharing.
a minha segunda resposta à Lily Allen
Ok, maybe that is true for new artists that have a record company that invests, expecting for profit. If you have a new single, and a new shinny clip and promotion, it means that the record company is spending money to promote you. And if people don't buy, there is trouble. But your music can easily be listen by a great audiance. Your sound has the potencial to be successful.
What I want to say is that, unlike mainstream artists, like you (that have a sound that can appeal to a lot of people), some artists will never have great audiances, will never have a record company investing large sums.of money. All they have - as promotion - are enthusiasts that share their songs.
I love Yoshimi P-We, OOiOO, Boredoms, Hanatarash, Yamakata EyE and also Merzbow, OLAibi, and others, all acts that are part of the noise rock scene in Japan. There was never any marketing, add, song on the radio or any other way of them making their music come to me, in Portugal. The only way was file-sharing (from one song of OOiOO, on a blog, I discovered by myslef all the other bands). Now I know what to buy, and do buy and I will go to concerts, if they ever are in a neighbouring country. But only because there was file-sharing in the first place.
Your songs play on portuguese radios, everyday. So, I understand your problem. There was investment by your record company, you both sould get paid, record company and you - your work cost you time, money, creativity, it should be paid. But thousands of artists don't have clips and don't play on the radio. Do you think people all over the world should be prevented from hearing their songs? And do you believe that it will beneffit music, artists, industry? How can I spend money on bands I do not know? And is it ok that all the information I am suposed to relly on is the one coming from marketing? That beneffits only the mainstream acts that record comapanies bet on. And it's not fair for everyone else.
terça-feira, 22 de Setembro de 2009
antes do depois
segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
para um mercado discográfico melhor
http://openinternet.se/projecto destinado a recolher fundos para a batalha legal entre a malta do TPB e a malta dos direitos de autor.
eu, do pouco que vi (em entrevistas na tv) dos fundadores do TPB, não gostei nada. são malcriados, ignorantes e intransigentes.
de qualquer forma, ao escolherem o TPB como alvo e símbolo, as editoras e produtoras põem aí decisões legais que nos afectarão a todos.
em Portugal já houve (penso que ainda há) ISP's a bloquear o tráfego de torrents. o que é abusivo. é um formato que tb é usado legalmente.
acho que todos devemos estar atentos ao que se irá decidir quanto à perseguição criminal a particulares que copiem música ou filmes.
com as k7's não havia grande sururu. agora, com terabytes e terabytes de cópias, a coisa ganhou uma dimensão que assusta.
assusta as editoras que se estabeleceram num modelo de negócio em que se investem milhões para ganhar biliões.
e quem investe milhões não quer aceitar que as pessoas sejam muito menos permeáveis ao marketing e à mtv do que há 20 anos.
hoje em dia, é muito difícil, para uma grande editora, fazer um investimento de milhões num disco, tendo o retorno como certo.
mas, para mim, isso é que é natural: e não sermos zombies sem gosto nem cultura que vão a correr comprar a última "aposta".
investir no disco de uma banda não é o mesmo que investir na imobiliária, na restauração ou noutro negócio.
por mais que uma editora promova, produza vídeos e faça o seu trabalho, são os consumidores que decidem ou não comprar.
para mim, a questão que os downloads ilegais levantam é "este modelo de negócio das grandes editoras continua a fazer sentido?"
a minha resposta é imediata e firme: não!
talvez fosse melhor as grande editoras terem outras abordagem do mercado discográfico.
1- deixarem de fazer contratos (tão) milionários. é o retorno de uma edição que permite recompensar o arista. e o retorno é imprevisível.
2 - deixarem de produzir vídeos milionários tão precipitadamente, como se já tivessem o dinheiro no bolso.
3 - aumentarem a percentagem do valor do CD que o artista ganha. aumentarem a percentagem do lucro dos concertos que a editora ganha.
4 - passar a ver-se a associação de uma banda à editora como uma verdadeira parceria.
4.1 - se se faz muito dinheiro em concertos, então editora e banda devem trabalhar em conjunto nisso e lucrar ambos.
4.2 - se é difícil vender CD's, procurar tornar as edições interessantes (como od DVD's, que têm entrevistas, making off e outros extras)
5 - deixar de encarar o negócio, no século XXI, como se estivéssemos em 1970. hoje as pessoas se querem ouvir ouvem (e o que querem).
6 - não sendo possível condicionar nem sequer influenciar mt as decisões dos compradores, há q fazer como noutros negócios: seduzi-los.
7 - ver nos dowloads um inimigo absoluto do lucro é ver desfocado e incompleto. os downloads dão a conhecer. e isso é bom.
8 - usar a favor das vendas a cultura (ainda fraca) dos torrents de "if you like it buy it", promovê-la de todas formas.
9 - fazer aliados nas comunidades de partilha de ficheiros. financiar algumas, promover mesas redondas, encontrar pontos de consenso.
10 - perceber que é contraproducente a tentativa de transformar o consumidor que copia num criminoso a ser encontrado através do IP e preso.
11 - os consumidores gostam de fazer boicotes. detestam que os diabolizem. e respondem, com a sua arma: a escolha de onde gastar dinheiro.
12 - Trazer para o mercado discográfico alguma da filosofia do mercado do software open source.
os downloads podem beneficiar a indústria, pôr mais dinheiro a circular. é uma questão de estar atento e aproveitar as oportunidades.
quando o iTunes começou, todos se riram. depois, a venda a vulso de canções tornou-se negócio milionário. e não devia ser surpresa. mas foi.
quando se ganha o hábito de fazer downloads, quer dizer que se está tb aberto a fazer downloads legais. é a facilidade de acesso o segredo.
fazer download de um torrent é fácil e rápido. comprar no iTunes é ainda msi fácil e mais rápido. e na internet muitas compras são d impulso
as editoras começam (muito timidamente) a perceber que compensa ter músicas gratuitas na last.fm e afins.
quem usa PayPal ou Google checkout tem-nos sempre logados. Comprar é dar dois cliques e pouco mais.
as editoras podem (e têm de o fazer se querem sobreviver) usar os downloads não pagos para empurrar os downloads pagos.
se continuarem a insistir no seu modelo de negócio caduco, vão ganhar uma ou outra batalha legal, mas ficarão com os consumidores zangados.
se continuarem a hostilizar quem lhes dá dinheiro, estão feitas. este é 1 ponto em q as coisas se vão definir. têm o queijo, nós a faca.
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
a rotina do nunca
quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
meu amor distante, escuta:
While you are away
My heart comes undone
Slowly unravels
In a ball of yarn
The devil collects it
With a grin
Our love
In a ball of yarn
He'll never return it
So when you come back
We'll have to make new love
He'll never return it
When you come back
We'll have to make new love
While you are away
My heart comes undone
Slowly unravels
In a ball of yarn
The devil collects it
With a grin
Our love, our love,
In a ball of yarn
He'll never return it
When you come back
We'll have to make new love
He'll never return it
When you come back
We'll have to make new love
He'll never return it
When you come back
We'll have to make new love
isto tinha dado uma crónica, bem sei VIII
de vez em quando, ouço os meus amigos arquitectos a citarem um famoso arquitecto de que não me lembro do nome (o que é irónico)
disse esse famoso arquitecto que um intelectual teria vergonha de dizer que não leu Celine ou Goethe, (cont..)
(cont...) mas não tem pudor nenhum em revelar-se ignorante em relação à arquitectura.
pois eu faço o mesmo raciocínio em relação ao desporto e ao heavy metal. segue-se a explicação.
um homem culto teria vergonha de dizer que não sabe quem foi o Picasso.
(cont...) mas não tem vergonha de nadar mal ou não nadar, não conseguir acertar com 1 raquete numa bola, não estar em forma.
além disso. há muitos melómanos que dizem ouvir tudo e mais alguma coisa. que o único critério que têm é a qualidade.
(cont...) mentem. falem-lhes de Opeth ou Amorphis e vão ver como torcem o nariz, cuspindo "isso não é música".
há uma coisa que me irrita profundamente, e que considero manifestação de uma mentalidade imbecil, onde todos nos atolamos.
facilmente fazemos comentários de desprezo quando um desportista de alta competição abre a boca e se mostra pouco eloquente, burro até.
parece ter imensa piada que alguém com um corpo tão bem trabalhado e eficaz, tenha uma mente tão pouco desenvolvida. é cómico, não é?
pois, então, porque não é cómico que um intelectual, um cientista, um homem da cultura seja fisicamente inapto, trengo, incapaz?
eu, em cada um dos casos, vejo uma pessoa desequilibrada, que desprezou uma faceta importante em favor de outra.
e não acredito q seja + importante ser inteligente do q estar em forma. eu prefiro a ignorância num corpo saudável. o contrário é aberração.
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
isto tinha dado uma crónica, bem sei VII
a inteligência pode ser uma coisa muito destrutiva e até perfeitamente inútil. fico sempre triste ao ver alguns génios tão infelizes
e ponho sempre em causa que uma pessoa que passe a vida a sabotar a sua própria felicidade seja, de facto, inteligente.
as alturas da minha vida em que me senti mais burro, imbecil mesmo, são aquelas em que contribuí para a minha própria miséria.
já reparei que as pessoas, quando não conseguem que as coisas sejam boas, por vezes tentam encontrar charme nas más.
por isso há tanto romantismo depressivo, tanto charme literário no suicídio, tanta nobreza em quem desiste do mundo.
gostamos de heróis em rota de colisão consigo mesmo, de pessoas que se consomem em causas perdidas, de lunáticos e de sofredores.
talvez lhes adivinhemos a coragem que não temos de assumir de uma vez por todas a miséria, fazendo da infelicidade uma epopeia.
invejamos, nos nossos anti-heróis favoritos, o drama absoluto, a radicalidade do desespero, o sim ou sopas, o trágico.
e vamos sofrendo devagarinho, suavemente aguentando os sobressaltos piores, sem ter a certeza de como ser feliz nem de como sofrer.
pois eu não quero fazer do sofrimento o corolário dos meus princípios, nem acreditar na infelicidade como numa religião.
irritam-me as personagens romanticamente desesperadas, auto-destrutivas e implacáveis perante o que cheira a esperança.
vejo nelas o que sinto ser o pior de mim. não as invejo nem lhes imito os tiques de charme depressivo.
sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
ceci n'est pas un sketch do gato fedorento
Jornalista - Pois... não faço a mínima ideia. Mas é com esta pergunta que nos despedimos do nosso auditório. Junte-se a nós, para a semana, e assista à entrevista a Joaquim Montado, um ex-toureiro que agora se converteu aos direitos dos animais, desde que percebeu, durante uma regressão, em sessão de hipnotismo, que na vida anterior tinha sido um grande boi.
isto tinha dado uma crónica, bem sei VI
ontem, ao assisitir ao #debate, fiquei com muito má impressão de MFL. e os eleitores do PSD devem reflectir seriamente sobre o tema Madeira.
verdade é slogan para o PSD de MFL. e o que ela fez, ontem, é tudo menos ser verdadeira. #debate
alguém, que esteja a pensar votar PSD, acredita que a MFL vê na Madeira um exemplo para a democracia asfixiada do continente? #debate
e sejam sérios e intelectualmente corajosos. perguntem-se, "eu quero uma líder que mente tão descaradamente?"
eu aceito (dentro do respeito pelos direitos humanos), qualquer tipo de pensamento político. tenho o meu. aceito os outros.
há políticos que dizem "a política interna da China é questão onde não interferimos. mas queremos a China como parceiro comercial".
no meu pensamento político, fechar os olhos a violações dos direitos humanos é abominável. mas esses políticos não mentem. são verdadeiros.
mente: um político que diga que a China tem um regime louvável e que os avisos da comunidade internacional são excessivos e alarmistas.
a MFL, ao dizer que os jornalistas, na Madeira, podem falar e falam contra o governo, ao contrário do continente, mente obscenamente.
ao dizê-lo, MFL sabe que está a dizer uma mentira. e até parece esperar que os seus eleitores o saibam e desculpem.
é como se pedisse aos seus eleitores que fechem os olhos a um pormenor, pelo bem maior de derrotar o PS e Sócrates.
eleitores do PSD, pensem bem. uma candidata que fala em Verdade como um valor moral distintivo da sua política, mente ao país desta forma.
estão dispostos a perdoar o pecadilho, em nome do bem maior que é derrotar a política "de mentira" de Sócrates? estão dispostos a isso?
isto tinha dado uma crónica, bem sei VI
detesto que o sono seja associado à preguiça.
o sono tem a ver com o cansaço.
quem se espreguiça ou boceja é porque não descansou o suficiente.
um preguiçoso, que tenha dormido bastante, provavelmente espreqguiça-se e boceja muito menos que um trabalhador sem tempo para dormir.
ácido: tenho trabalhado muito. no livro e no corpo. se não tivesse que vir para o emprego, todas as horas acordadas seriam úteis.
assim que saio do emprego, sou industrioso, trabalhador, empenhado. canso-me, trabalho, no duro, mesmo até à hora de me deitar.
"ó nuno, estás a dizer que, no emprego, te baldas, não te esforças?"
nada disso. mas, na minha mente idealista, praí 80% dos empregos são inúteis.
no sistema em que organizamos a sociedade, dependemos de postos de trabalho e do consumo. escasseando um ou outro, estamos lixados.
mas, sendo realista, praí uns 80% das profissões, empregos, coisas produzidas são lixo. não ajudam a humanidade em nada.
nunca tivemos tanta capacidade de produzir riqueza como agora. e o que fazemos com isso?
aumentamos o consumo para que as economias continuem a crescer. esgotamos recursos para que a economia cresça. somos doidos.
temos capacidade de alimentar todos os seres humanos, de vestir todos os seres humanos, de construir casas para todos os seres humanos.
irrito-me quando ouço que a solução é melhorar a economia, para que seja produzida mais riqueza, o que beneficiará todos.
é mentira, fantasia, palermice. se não conseguimos distribuir eficazmente o pouco, o muito (que é de poucos) também não.
basta ver os índices de pobreza dos EUA para verificarmos que o país mais rico do mundo não consegue distribuir a muita riqueza que produz.
e depois há esta obscena sacralização do trabalho. como se nascêssemos todos com a vocação de operários.
nós só trabalhamos porque precisamos de dinheiro.
há sociedades primitivas que são sobretudo recolectores.
há registo de termos levado escravos para o Brasil porque os índios eram "preguiçosos".
como podiam colher fruta e todo o tipo de plantas, eram caçadores-recolectores, sem grande agricultura ou necessidade dela.
há centenas de anos que vivemos esta mentira: produzir é a mais nobre das coisas. uma sociedade que produz muito é evoluída.
até a expansão do comunismo se baseou na mecânica burguesa e capitalista.
produziu-se muito, na URSS, porque havia uma revolução industrial a fazer. a classe trabalhadora, os operários tinham contexto e uso.
mas é estúpido, pouco ambicioso, castrador e debilitante queremos que os homens sejam sobretudo operários. merda para isso.
aconselho a leitura de "A Educação de Portugal" de Agostinho da Silva.
Agostinho da Silva via como a evolução desejada uma humanidade que assegurasse serem automáticos os meios de produção, libertando as pessoas
o facto de uma fábrica funcionar apenas com robots, para mim, é maravilhoso. se o que ali fosse distribuído por pessoas, era o céu.
os homens não nascem para trabalhar em fábricas, em escritórios, em armazéns. quem não luta contra isto, acredita num mundo feio.
quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
corpo são é mente sã
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
isto tinha dado uma crónica, bem sei V
os futebolistas são outro exemplo de graxa aos adeptos. compreende-se, têm camisolas para vender, patrocínios, lugar na equipa a estimar.
eu, desde criança, que acho que a parte menos importante de qualquer desporto são os adeptos.
dou um exemplo radical e próximo: estou-me nas tintas (mesmo nas tintas) para a tristeza dos portugueses, se não formos ao mundial de futb.
quando um milionário como o Cristiano Ronaldo perde um jogo importante, não penso "pagam-lhe tanto e afinal, não tem amor à camisola"
é isto que penso: "é uma merda perder, coitado". eu sei o que é perder, quando era basquetebolista perdia quase todos os jogos.
um surfista pode percorrer o mundo, surfando ondas de todos os feititos e tamanhos, sem ter um único adepto a vê-lo.
eu patino sem adeptos. e nem os quero.
vejo o desporto como a arte.
um pintor com sucesso financeiro, tem o sustento garantido. mas se pintar for mesmo importante, ele não pede licença, pinta, mesmo pobre.
um desportista, se o desporto for mesmo importante, não pede licença nem dinheiro aos adeptos. faz desporto.
os adeptos são um conceito burguês, que tem a ver com o mercado e a potencialmente milionária rentabilidade do espectáculo.
eu digo: que se lixem os adeptos. desculpem-me os adeptos. mas vão-se lixar.
e no desporto ainda é mais radical que na arte. a arte tem, quase sempre, um contexto que envolve comunicação. por isso o espectador importa
no desporto, não. um surfista não precisa que olhem para ele. (repito o exemplo, porque para mim, o surf é O Desporto.)
repito: vão-se lixar, mais os vossos pseudo-jornais que alimentam a vossa profissional espectadeirice de sofá ou estádio.
vão dar xutos numa bola, ou nadar no mar, ou subir o monte, ou pedalar, ou jogar matraquilhos. isso sim, é ser amante do desporto.



